O aumento do interesse por chás que oferecem benefícios terapêuticos, em especial aqueles que contêm ervas como a carqueja, gerou preocupações em relação aos riscos de seu consumo sem a devida supervisão. Produtos que prometem melhorias na saúde, como o controle da glicose ou proteção do fígado, têm chamado a atenção das autoridades sanitárias devido à falta de evidências científicas e ao risco potencial para os consumidores.
Especialistas e órgãos reguladores enfatizam que o uso descontrolado de plantas medicinais pode levar a intoxicações, reações alérgicas ou interações negativas com medicamentos que o indivíduo já utiliza. A crença equivocada de que todos os produtos naturais são seguros aumenta o risco de exposição a perigos, especialmente quando não se tem clareza sobre a origem, o método de preparo ou a dosagem correta das ervas.
Orientações da Anvisa sobre chás fitoterápicos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz uma distinção importante entre chás vendidos como alimentos e aqueles categorizados como fitoterápicos. Essa diferenciação é fundamental para informar tanto os consumidores quanto os fabricantes sobre as normas pertinentes à comercialização e rotulagem desses produtos.
Segundo as normas atuais, os chás disponíveis em supermercados — como camomila e hortelã — são classificados como alimentos e, por isso, não têm permissão para incluir alegações terapêuticas nas embalagens. Frases do tipo “ajuda na perda de peso” ou “regula o diabetes” são proibidas para esses itens. Por outro lado, produtos vegetais destinados ao tratamento, prevenção ou alívio de sintomas relacionados a doenças devem ser registrados na Anvisa como medicamentos fitoterápicos. Para esse registro, os fabricantes precisam apresentar estudos que comprovem tanto a segurança quanto a eficácia do produto; esses medicamentos estão disponíveis exclusivamente em farmácias e drogarias.
Recomendações de segurança antes do uso
É fundamental adotar algumas precauções antes de utilizar qualquer planta com propriedades medicinais. Os consumidores devem desconfiar de promessas de cura rápida para doenças complexas e verificar se as embalagens possuem número de registro na Anvisa quando forem feitas alegações sobre saúde. Além disso, é aconselhável evitar a compra de ervas em feiras ou com fornecedores não regulamentados, já que existe o risco de identificação errada da espécie e contaminação por agrotóxicos ou metais pesados.
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Por fim, é recomendável consultar um médico ou farmacêutico antes de iniciar o uso dessas plantas, permitindo que um profissional avalie possíveis interações com tratamentos existentes e verifique se o produto está alinhado às necessidades individuais.
