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  Politica  LCM, construtora de Belo Horizonte investigada pela PF, firma contrato com governo Raquel Lyra em Pernambuco enquanto amplia domínio em obras federais
Politica

LCM, construtora de Belo Horizonte investigada pela PF, firma contrato com governo Raquel Lyra em Pernambuco enquanto amplia domínio em obras federais

RedacaoRedacao—junho 22, 20260
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A construtora LCM Construção e Comércio, sediada em Belo Horizonte e alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades em licitações e execução de obras rodoviárias, ampliou sua atuação no setor público ao firmar contrato de licitação com o governo de Pernambuco, sob a gestão da governadora Raquel Lyra.

Apontada como “campeã do asfalto” no atual governo federal, a empresa acumulou cerca de R$ 8,3 bilhões em contratos de pavimentação e infraestrutura no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, valor que supera em 25% as contratações realizadas no mesmo período da gestão de Jair Bolsonaro. O montante também representa quase o dobro do obtido pela segunda colocada no ranking de construtoras do setor.

Com atuação em expansão, a LCM firmou 128 contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em 22 estados brasileiros no atual governo. A Construtora Luiz Costa Ltda. aparece em segundo lugar, com R$ 4,8 bilhões, seguida pela V. F. Gomes Construtora Ltda., com R$ 2,4 bilhões, e pela Construtora Caiapó Ltda., com R$ 1,54 bilhão.

Ascensão no setor e crescimento no pós-Lava Jato

A LCM Construção e Comércio foi fundada em 2014 e firmou seu primeiro contrato com o governo federal no mesmo ano. Inicialmente com atuação considerada modesta, a empresa ampliou significativamente seu faturamento nos anos seguintes, especialmente durante o governo Bolsonaro, quando teria alcançado R$ 6,6 bilhões em obras em três anos, em valores corrigidos pela inflação.

A ascensão da chamada “campeã do asfalto” ocorreu no contexto do enfraquecimento das grandes empreiteiras após a Operação Lava Jato, que reconfigurou o setor de infraestrutura no país. Em entrevista em 2015, o empresário Luiz Otávio Fontes Junqueira afirmou que a empresa se beneficiaria do espaço deixado pelas construtoras atingidas por investigações.

Suspeitas de cartel e investigações da PF

A empresa e seu proprietário são alvos de investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de formação de cartel, superfaturamento e fraudes em licitações de obras rodoviárias em diferentes estados.

Entre os casos investigados está a atuação no Amapá, envolvendo obras na BR-156, onde a PF aponta possível conluio com empresas ligadas a Breno Chaves Pinto, suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. A investigação também identificou o envolvimento de um superintendente do DNIT no estado, posteriormente afastado do cargo.

Relatórios da PF apontam ainda trocas de mensagens e documentos sigilosos antes da publicação de editais, além de indícios de influência política na liberação de recursos e empenhos.

Suspeita de cartel em múltiplos estados

Além do Amapá, há investigações que indicam possível atuação de cartel em ao menos cinco estados, incluindo Rondônia, onde a LCM firmou cerca de R$ 848,8 milhões em contratos.

Segundo apurações, o esquema envolveria empresas e consórcios responsáveis por obras de pavimentação asfáltica e agentes públicos. Em um dos casos citados, a empresa teria recebido pagamentos superiores ao executado, com divergências significativas na espessura do asfalto medido e o valor pago pelo DNIT.

Na mira da CGU e do Cade

A LCM também é investigada pela Controladoria-Geral da União (CGU) em uma obra na BR-367, entre Minas Gerais e Bahia. Relatórios de auditoria apontam possíveis “informações inverídicas” em medições de obras, além de pagamentos por intervenções inexistentes.

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Auditores identificaram, com base em imagens de satélite e registros fotográficos, casos em que a empresa teria sido remunerada duas vezes por serviços no mesmo trecho de rodovia.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também apura suspeitas de cartel envolvendo a empresa e outras construtoras. As investigações apontam possíveis coincidências de IPs e metadados em pregões eletrônicos, sugerindo atuação coordenada em licitações públicas.

O relatório encaminhado ao órgão indica “indícios robustos de infração à ordem econômica”, com práticas como divisão de mercado, simulação de concorrência e subcontratações cruzadas.

Posicionamento da empresa e das autoridades

Em nota, a LCM afirma que seu crescimento se deve à “destacada capacidade técnica e ao comprometimento de seus colaboradores”, negando irregularidades e afirmando que presta esclarecimentos aos órgãos de controle.

A empresa declara ainda que sua atuação é pautada por “rigorosos princípios éticos, legais e de governança”.

O senador Davi Alcolumbre, citado em investigações, negou relação com as empresas mencionadas. O DNIT informou colaborar com as investigações. Já Breno Chaves Pinto não se manifestou.

Débitos federais e situação fiscal (Receita Federal / PGFN)

Segundo informações de apoio para emissão de certidão da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a empresa LCM Construção e Comércio S.A. (CNPJ 19.758.842/0001-35) possui registros de débitos e situações fiscais com diferentes classificações, incluindo inscrições com exigibilidade suspensa e parcelamentos ativos no sistema da União.

Inscrição com exigibilidade suspensa (SIDA)

  • Inscrição: 50.5.25.004086-02
  • Receita: 3623-CLT
  • Data de inscrição: 03/07/2025
  • Processo: 14152.031.179/2021-51
  • Tipo de devedor: corresponsável
  • Devedor principal: 29.834.183/0001-22

Inscrições ativas não ajuizáveis negociadas no SISPAR

  • 60.5.22.003404-39 — Processo 47257.000.049/2019-32
  • 60.5.22.003405-10 — Processo 47257.000.050/2019-67
  • 60.5.22.003406-09 — Processo 47257.000.051/2019-10
  • 60.5.22.003407-08 — Processo 47257.000.058/2019-23
  • 60.5.22.003408-06 — Processo 47257.000.059/2019-78
  • 60.5.22.003409-04 — Processo 47257.000.060/2019-01
  • 60.5.22.003410-87 — Processo 47257.000.061/2019-47
  • 60.5.22.003411-60 — Processo 47257.000.062/2019-91

Todas constam como “devedor principal” e em situação de negociação no SISPAR.

Pendências de parcelamento (SISPAR)

  • CNPJ 19.758.842/0001-35
    Conta: 006153844
    Modalidade: parcelamento convencional sem garantia (dívida não previdenciária até R$ 15 milhões)
  • CNPJ 27.853.182/0001-08
    Conta: 013920442
    Modalidade: parcelamento convencional sem garantia (mesma faixa de dívida)

Parcelamento com exigibilidade suspensa (PERT)

  • CNPJ 23.998.438/0001-06
    Conta: 001428538
    Programa: PERT – Demais débitos
    Modalidade: parcelamento com entrada e saldo até 145 meses

O relatório também registra que determinados vinculados não apresentam pendências ativas nos sistemas da Receita Federal e PGFN.

Final do relatório
Data: 19/06/2026 – 10:58:19
Página: 90 / 90

Segue documentos completo em anexo

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